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Espalhando o bom perfume | AV [Parte III]

segunda-feira, 13 de junho de 2011

(Autor: Rodrigo Maia)
[Episódio anterior aqui.]



O velho carioca da aldeia verde me contou esta história:
“Encontrei na Montanha Sagrada insetos que nunca vi.
Eles voavam e borrifavam o perfume daquela flor cheirosa, da qual se alimentavam.

O interessante é que eram três tipos de insetos:
Os que ficavam tempo demais se alimentando nas flores e que quando tentavam voar não conseguiam, apenas caminhavam, tornando-se alvos para serem pisados.

Tinha os que não se alimentavam da flor e que por consequência não podiam voar, apenas andar.
O engraçado é que parecia que os que andavam nem sentiam falta da flor, mas tentavam voar batendo as asas, mesmo que sem sair do chão, pelo menos eles tinham essa ilusão.

Algo incrível acontecia com esses insetos, os que se alimentavam da flor saíam perfumando por aí não só por perfumar, mas parecia que eles estavam procurando os seus semelhantes. Parecia que um pouquinho que eles borrifavam nos insetos perdidos, faziam com que eles consegussem voar na proporção do borrifo que recebiam. Afinal eles tinham que chegar à fonte, a flor.
Os insetos cuidavam dele até que ele aprendesse a voar e assim levá-lo a fonte para que ele ajudasse a encontrar mais desses insetos perdidos e trazê-los de volta a vida plena deles, que não era só andar, mas também voar.

Infelizmente vi muitos insetos gordos perto da flor, mas eu não sabia o porquê deles não compartilharem o perfume com os perdidos. Era de graça, ué.

Pelo menos vi alguns tentando sair do conforto, por mais que esses gordinhos tímidos tinham dificuldade de voar, eles conseguiam perfumar muitos perdidos quando eles queriam e voavam bem alto assim como os perdidos quando descobriam que podiam voar.

Deve ser muito boa a sensação de descobrir que vc pode voar. Eu voaria com todas as minhas forças com certeza. Tentaria avisar o máximo de gente possível para voar, pq caminhando poderíamos ser pisados e mortos. É muito bom saber que sua vida não se limita ao chão, ou a terra.”

Eu: Nossa! Muito legal esses insetos.

Velho: Vc deveria conhecer melhor essa cidade. Na verdade ela é um mundo novo cheio de coisas diferentes para descobrir.

Pensando que era propaganda de cidade turística, nem dei bola e agradeci pelas informações, mas quando virei pra sair da lojinha, vi a chuva. Levantei minha mochila pra me abrigar quando o velhinho me cutucou dizendo:
“Leva esse guarda-chuva, quando parar de chover vc me traz de volta.”
Eu não quis incomodar, mas ele insistiu e eu agradeci depois.
Pensei comigo: “Puxa não queria voltar lá... quero ir de manhã nessa tal de Montanha Sagrada e fotografar esses insetos”.

Velho: "Ah! Como vc se chama?"
Eu: "Prazer, sou o Rogério."

O velho ficou me olhando com uma cara estranha até que eu perguntei: "Que foi?"
Velho: "Achei que vc ia dizer outro nome... achiachiachiachiaa..."
Eu ri pra não deixá-lo sem graça: "haha...aaa tá..."
Velho: "Muito prazer Rogério! Aqui as pessoas me chamam de Seu Divino."

Enfim, me despedi dele e fui procurar um hotel.

Continua.


Bom, fui caminhando à procura de um hotel no meio dessa chuva. Antes fosse só a chuva, mas começou aparecer uma neblina perto dos rios da cidade no final da tarde.
Estava bem escuro quando estava atravessando uma ponte, pq vi uma placa que dizia: Hotel torre alta.
Fui à procura desse hotel, pois o tempo tava feio. Mas algo estranho aconteceu nessa ponte... mas amanhã termino de escrever, pq preciso muito dormir agora. (rs)

[...]

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Episódios
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