A carta anexa | A. V. 7

domingo, 5 de fevereiro de 2012

(Autor: Rodrigo Maia)



Em uma folha anexa...

Oi! Eu sou a Bruna.
Estou aqui pra contar como conheci o Rafael... ops Roger Rafael.
Não sei porque ele prefere Roger. Resolvi escrever aqui porque para onde estamos indo acho que não poderemos levar esse diário. Se algo acontecer conosco, pelo menos saberão no que nos metemos por esse diário.

Bom, minhas férias estavam maaaraaavilhosas *-*
Estava na França, numa cidadezinha chamada Vichy. Pelo menos na parte urbana que fiquei parecia pequena. É uma cidade muito legal. Tem o longo rio Lac d’Allier que divide a cidade e tem uma fonte de água com um gosto muito estranho. Dizem que essa água estranha é boa para o intestino, rim, pulmão... alguma coisa assim.
O motivo principal de estarmos lá era a minha avó. Ela está muito doente e de cadeira de rodas, coitada, apesar de não estar muito velha.. ela está chegando nos 70 agora.

Fonte Vichy
As vezes ela conta histórias legais, mas nossa mãe diz que é caduquice dela.
Caduquice ou não, eram histórias realmente interessantes. O problema é que ela acreditava tanto que se colocava nas histórias.

Bom, ela cismou durante uns 4 dias diretos que queria ir para Águas do Viana, a terra que ela e meu avô moravam. O nosso avô nos abandonou assim como o meu pai. Hoje vivo com minha mãe, minha vó e minha irmãzinha de 7 anos.

É, tivemos que deixar a cidade de Vichy para voltar para o Brasil numa cidade que ninguém sabe que existe! ¬¬

Fazer o quê, viemos para cá!

Fomos para o hotel que ficávamos de costume, um que tem uma grande chaminé. Para chegarmos no hotel, temos que atravessar uma pontezinha e todas as férias que passamos por lá minha avó começa a falar que o vovô aparece ali de vez em quando para vê-la, mas que ele não foi visitá-la nas últimas férias. Esse fato a deixou muito ansiosa e eufórica. Minha mãe, inconformada, dizia para ela não confundir a cabeça da Gabi, aí era nessas horas que minha avó repetia mais alto gritando que era ele, era ele, era ele!

Estava chovendo um pouco, mas ouvíamos vários estrondos também. Chegamos no hotel e ficamos arrumando as malas num quarto no térreo e a Gabi ficava pulando na cama, fazendo aquelas molequices que acabava nos atrapalhando.
Minha mãe disse: - Ga-bri-e-la!
Na mesma hora, ela juntou os pés no ar caindo sentada com as pernas dobradas na cama.
Colocando a mão na boca e se contorcendo toda com um sorriso de sapeca falou: - O queeÊ?
Mãe: -Vai levar sua avó pra passear no jardim, vai?
Ela deu um pulo de alegria, colocou as pantufas e começou a empurrar a vovó pra fora do quarto.
- E a opinião da velha aqui, não vale? Brincava minha avó sendo empurrada por minha irmã.


Eu e minha mãe trocamos uma risadinha e começamos a conversar.
Alguns minutos mais tarde, minha mãe pensando alto disse:
- Ai, deixa eu ir atrás daquelas duas, senão elas vão nos colocar em encrencas.

Minha mãe abriu a porta e só aí pude ouvir o que minha mãe estava ouvindo. A vóvó estava contando histórias para alguém lá na recepção. É, o nosso quarto era bem perto da recepção.

Logo escutei minha mãe xingando a vovó: -Já chega mamãe, deixa o moço em paz, depois você conta suas lendas.

Daí já sabe né? Minha vó começou a gritar: -Meu marido está naquele navio! Eu ouvi ele me chamar de lá! Era ele! Era ele! Era ele!
E eu só ouvindo e rindo com aquela sensação tediosa: -ai ai, de novo...

Quando elas chegaram aqui no quarto aconteceu algo estranho.
Minha avó pegou a única peça mais valiosa para ela e pediu para Gabi entregar para o moço que iria entrar no quarto 203. A Gabi pegou e foi correndo entregar para o moço. E você acredita que  minha mãe nem viu minha vó fazer essa arte?
-Vó?! Porquê...
-Seu avô me deixou algumas pistas e disse que precisava de ajuda para lembrar o caminho de casa. Ele precisa lembrar de mim... É só isso o que ele precisa...
Dizia minha avó acariciando minha cabeça com um sorriso.
-Mas como você sabe que tem que dar para aquele moço? Perguntei preocupada com aquele pertence.
-Aquele moço vai para o quarto 203. Lá ele vai descobrir um pouco sobre...
-BOA SORTE! Gritou alguém na recepção.
Junto com minha mãe saindo do banheiro dizendo que estava na hora da vovó tomar a água da fonte de Vichy.


- Jaqueline! Não preciso dessas coisas minha filha...
- Precisa sim dona Margarida!

Então, depois de toda aquela enrolação, resolvemos dormir e aquele assunto ficou no ar.

Na manhã seguinte, estávamos indo para a Fazenda Bomba, onde tinha várias fontes de águas iguais aquela que tem em Vichy. Quando saí para ver o quintal vi um antigo ex-colega, o Rafael, vulgo Roger. Ele estava todo desajeitado tentando arrumar aquela câmera fotográfica dele derrubando um guarda-chuva no chão.

Eu ri dele e fui atrás para ver se ele me reconhecia.
Enquanto estava indo atrás dele vi uma coisa muito... muiito.. estranha. Estranha? Algo desconhecido eu diria... mas...
-Ai que lindooo! O Rafa precisa ver isso.

Acho que na próxima página desse diário ele continuará essa história.
Foi bom invadir esse espacinho.

;*



Continua...



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1º Temporada - Contos da Aldeia Vila Verde: